Teterías de Albayzin, Granada

gastronomia árabe

Jalāl-ad-DīnMuhammad Rūmī, um dos maiores escritores persas de todos os tempos, certa vez escreveu “Sua tarefa não é buscar amor, mas meramente buscar e encontrar dentro de si mesmo, todas as barreiras que você ergueu contra ele.”.

 

 

Quando andamos por vilas e bairros tradicionais da cultura moura na região de Andalucía, na Espanha, é comum nos deparamos com as famosas teterias, isto é, casas de chá em estilo árabe na qual se pode encontrar além de deliciosos chás, especiarias, frutas cristalizadas e doces. Ao contrário das típicas casas de chá inglesas, com ambientes de grande discrição e de roupagem conservadora, as teterias propõe uma experiência sinestésica ao aguçar, e propositadamente misturar, o gosto, o cheiro, a visão e o tato.

Imagine que você pode saborear as mais diferentes combinações de infusões ou cafés com baunilha, canela, cardamomo, azahar, hibisco, hortelã; e degustar diversos sabores de baklawa, briwat ou makrut (doces persas) em um ambiente delicadamente aromatizado a incenso e mu’assel (preparado no narguilé).

De um modo geral, a arquitetura árabe propõe uma maior valorização do espaço interior. Assim, é comum passarmos desatentos à porta de vários estabelecimentos e casas árabes e não darmos atenção ao exterior – no geral, portas e janelas modestamente decoradas e, por vezes, inacabadas. O segredo consiste na descoberta. Ao adentrar tais espaços, é possível se deparar com ambientes luxuosos, ornamentos, tapeçarias e véus, como se tivesse entrado em um conto árabe. Desse modo, retomando a citação de Rumi, no início, não busque a experiência final em si – por mais atrativa que seja – mas deixe que as barreiras do exótico e do mistério se desfaçam e renasçam em formas, gostos e cheiros de experiências inesquecíveis.

Bedrûd!*

 


*Expressão persa que significa “Eu te desejo bem, saúde e felicidade”.